''Você viveria assim para sempre?''
Fui pega de surpresa . Foi como se uma verdade assustadora me fosse revelada assim, de um momento para o outro. Não apenas ouvi a frase em cada entonação, mas fui capaz de sentí-la. Uma pancada um pouco forte, admito. E, desnorteada, apenas respondi, com uma voz talvez mais distante do que o normal, e aparentemente ausente de emoções: ''não...''.
Depois, veio a reflexão. Em casa, apaguei a luz e comecei a pensar, enquanto uma música triste tocava repetidas vezes. Após algum tempo, cheguei à conclusão de que a simples análise de valor da minha vida não mudaria a resposta. Eu não viveria desta forma para sempre, de fato. E, o pior: sinto como se estivesse vivendo sempre esperando algo que não faço idéia do que seja. Eu PRECISO esperar, preciso acreditar que um dia tudo será diferente. É quando me pergunto: o que estou fazendo aqui? Talvez esteja apenas seguindo a massa... e seguir a massa não é o que pretendo fazer pelo resto do tempo. Queria fugir, queria muito, mas também não viveria fugindo para sempre. E agora?
Agora é só imprecisão. Vivo como não deveria viver, e sem saber até quando. Certas vezes, sinto-me uma estranha no mundo, e essa forma conturbada com que enxergo a mim mesma traz-me a dúvida: algum dia seria capaz de responder ''sim''? Todas essas regras, toda essa forma como a sociedade é estupidamente organizada... será que um dia eu desejaria seguir eternamente o fluxo? Talvez continue sendo aquela que, no fundo, não quer estar em lugar nenhum. Sou quase uma parte do vento, que vai e volta, sem um destino fixo, sem um suporte qualquer além da certeza de que não há rotina ou leis, de que cada dia é estritamente diferente do outro.
Eu NÃO viveria assim para sempre. Você viveria?
sábado, 21 de março de 2009
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